quarta-feira, 2 de junho de 2010


Hoje
quando estava a sair de casa
olhei para o relógio e percebi que devias estar p'ra chegar
e então deixei a luz da cozinha acesa
porque é a que gasta menos
para que não encontrasses a casa às escuras na chegada
mas depois pensei melhor
ao chegares
vendo a luz acesa
podias pensar que eu estava em casa a fazer-te uma sandes de atum ou um cachorro
e ias ficar desiludida
porque eu estou a sair
e quando chegares já me fui
e vais sentir a mostarda ou a maionese no canto da boca
mas vai ser mentira
por isso
para não te desiludir
saio deixando atrás de mim a casa escura
para não te magoar

João Negreiros, in «a verdade dói e pode estar errada»

sábado, 29 de maio de 2010

Young Marble Giants

Foi disso que não falamos toda a noite: como teria sido possível ouvir, em devido tempo, o despojamento que - agora- já só do nada nos consegue aproximar às vezes?

in, Jukebox 1&2 " Manuel de Freitas"



quarta-feira, 26 de maio de 2010

Borboletas


Borboletas no estômago, batendo asas contra todas as paredes do corpo - não deixando que ele adormeça, inquieto e insatisfeito, voltado para dentro e para o passado.
in Borboletas, de Francisco José Viegas
foto : a insustentável leveza do ser

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Dizer o quê?

Pelo menos entre nós é assim: não há elogios, não há censuras, raramente há perguntas. Para quê? Há um estar ali que é já tanto. Diz-se sem as palavras e percebe-se que se diz e o que se diz porque o clima, não sei explicar de outra maneira, se torna diferente. Não falamos do que cada um faz: a gente sabe. Do que cada um sente: a gente sabe. Não se fala do sofrimento, não se fala da alegria: a gente conhece. É melhor desta forma.
In, Crónica de muito amor, ALA

sábado, 1 de maio de 2010

Ver-te é como ter á minha frente todo o tempo

Ver-te é como ter á minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado

in, Poesia de Ruy Belo
Foto de jla

terça-feira, 30 de março de 2010

Everything is ours for a few hours


Come with me
into the trees
we'll lay on the grass
and let the hours pass
Take my hand
come back to the land
let's get away
just for one day
Let me see you
stripped
Metropolis
has nothing on this
you're breathing in fumes
i taste when we kiss
Take my hand
come back to the land
where everything's ours
for a few hours
Let me see you
stripped
Let me hear you
make decisions
without your television
let me hear you speaking
just for me
Let me see you
stripped
Let me hear you
make decisions
without your television
let me hear you speaking
just for me
Let me see you
stripped
Foto de " Bresson"
Stripped, Depeche Mode

À tarde no Porto

foto de de ma®ia